Você sabia que todos nós nascemos com múltiplos tipos de inteligências, que se desenvolvem de maneira única ao longo da vida?

Salve criativos e inovadores! Vivemos um mundo cada vez mais complexo e diversificado, onde a compreensão da inteligência humana também se expandiu e evoluiu. Abrimos esta segunda semana do ano para falar sobre Inteligências Plurais, o tema oficial do World Creativity Day em 2024, que acontecerá simultaneamente em mais de 50 cidades. Clique aqui e confira a lista de cidades.
Este é um convite para explorarmos uma visão mais ampla e inclusiva das inteligências. E esta perspectiva reconhece que a inteligência não é uma capacidade única e fixa, mas um conjunto de habilidades e competências que podem ser desenvolvidas de maneira única em cada indivíduo, assim como é a Criatividade, tema que temos explorado ao longo dessa série de artigos, para um esquenta para o World Creativity Day 2024, que acontece em abril, especialmente em Suzano-SP, cidade onde este que vos escreve é líder local, responsável pela realização.
Desde os primórdios da civilização, a inteligência humana tem sido objeto de fascínio e estudo, um mistério tão intrigante quanto a própria origem do universo – aliás, ambos ainda despertam e provocam inúmeros estudos para uma maior compreensão de seus limites.
Como a inteligência humana nos permite imaginar
A inteligência, em suas diversas formas – lógica, linguística, emocional, entre outras – é uma habilidade adaptativa que permite a nós, seres humanos, por exemplo, termos a capacidade de imaginar, ou seja, de formar imagens ou ideias na mente, que não estão presentes aos sentidos.
Estudos indicam que também os cães, chimpanzés, golfinhos, papagaio-cinzento e até mesmo alguns dinossauros demonstraram sinais de algum tipo de imaginação. Essa capacidade nos permite também compreender que outros indivíduos podem ter pontos de vista diferentes de uma mesma cena (apesar de que alguns podem nos fazer discordar desse ponto rsrsrs), a tal da empatia. (Acabei de me lembrar da cena que assisti nas redes sociais, de um lagarto ir ajudar um outro amigo lagarto, que estava sendo imobilizado por uma serpente. Será que também têm capacidade de empatia?).
O que são Inteligências Plurais?
O conceito de Inteligência é multifacetado, englobando a capacidade de um indivíduo de conhecer, compreender, raciocinar, pensar e interpretar. Ela envolve habilidades como a capacidade de resolver problemas, planejar, pensar de forma abstrata, aprender com a experiência, adaptar-se a novos ambientes e situações, gerenciar emoções próprias e alheias. O nível de complexidade da congnição e da inteligência é uma das principais distinções entre o ser humano e os outros animais, sendo considerada uma habilidade adaptativa que nos permite navegar e prosperar em um mundo em constantes mudanças.
A Teoria Triárquica de Inteligência, proposta por Robert J. Sternberg, descreve a inteligência em três dimensões distintas: criativa, analítica e prática. Essa teoria oferece uma abordagem abrangente para compreender a capacidade cognitiva humana, numa visão abrangente da inteligência, isto é, aborda não apenas a capacidade de raciocínio lógico, mas também a criatividade e a habilidade prática, que são essenciais para a interação efetiva com o mundo interno, o mundo externo e a experiência:
- Inteligência Criativa (Experiência): relacionada com a experiência, envolve a capacidade de lidar com novas situações utilizando o repertório acumulado, a partir das experiências já vividas e habilidades desenvolvidas. Ela permite aos indivíduos adaptarem-se a novos ambientes, criar novas ideias e oferecer soluções inovadoras para os desafios e problemas. A inteligência criativa é usada para resolver problemas que não têm uma solução predefinida;
- Inteligência Analítica (Mundo Interno): esta dimensão da inteligência está relacionada com o mundo interno do indivíduo. Ela envolve a capacidade de analisar, avaliar, julgar, comparar e contrastar. No contexto do mundo interno, a inteligência analítica permite ao indivíduo processar informações, fazer conexões e entender as estruturas e funções das coisas. É a inteligência que usamos para resolver problemas que em geral, já possuem uma solução conhecida;
- Inteligência Prática (Mundo Externo): está relacionada com o mundo externo. Ela envolve a capacidade de aplicar o que foi aprendido no mundo real. Lidar com pessoas, coisas e situações da vida real. A inteligência prática é usada para resolver problemas que envolvem a interação com o mundo externo, seja no ambiente de trabalho, em casa ou na comunidade.
As “Abordagens Plurais” de ensino, criadas a partir da década de 1990 na Europa, chegam ao Brasil a partir dos anos 2000 representam na didática de línguas um novo paradigma de ensino, pautado em atividades de ensino-aprendizagem que envolvem, ao mesmo tempo, muitas variedades linguísticas e culturais no desenvolvimento de competências plurilíngues e pluriculturais, e se concentra no desenvolvimento dos aprendizes nos campos dos saberes, das atitudes e das aptidões, favorecendo a tomada de consciência de sua realidade linguística e ampliando a abertura em relação à diversidade.
O psicólogo estadunidense Howard Gardner, discordava da abordagem tradicional de medir a inteligência através do quociente de inteligência (QI), que se baseava fortemente no raciocínio lógico-matemático. Apresentada inicialmente nos anos 1980 em seu livro “Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences“, a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner sugere que a inteligência é o potencial para resolver problemas e criar aquilo que é valorizado em uma cultura. Ele identificou nove tipos de inteligências:
- Inteligência Lógico-Matemática: relacionada à capacidade de lidar com operações matemáticas e lógicas. Pessoas com essa inteligência têm habilidades indutivas e dedutivas fortes;
- Inteligência Linguística: envolve a habilidade de usar a linguagem de maneira eficaz, seja oralmente ou por escrito. É comum em escritores, poetas e jornalistas;
- Inteligência Espacial: refere-se à capacidade de visualizar o mundo e objetos de diferentes perspectivas. É comum em arquitetos, artistas e navegadores;
- Inteligência Corporal-Cinestésica: envolve a habilidade de usar o corpo para resolver problemas ou criar produtos. É comum em atletas, dançarinos e cirurgiões;
- Inteligência Musical: relacionada à capacidade de perceber e criar ritmos, melodias e tons. É comum em músicos, compositores e cantores;
- Inteligência Interpessoal: envolve a habilidade de entender e responder adequadamente aos humores, motivações e desejos dos outros. É comum em líderes, professores e terapeutas;
- Inteligência Intrapessoal: refere-se à capacidade de se autoconhecer, incluindo os próprios sentimentos, medos e motivações. É comum em filósofos e psicólogos;
- Inteligência Naturalista: envolve a habilidade de identificar e classificar padrões na natureza. É comum em biólogos, ecologistas e jardineiros;
- Inteligência Existencial: relacionada à capacidade de lidar com questões profundas sobre a existência humana, como o significado da vida e a morte. É comum em líderes espirituais, teólogos e filósofos.

Gardner defende que cada tipo de inteligência é igualmente importante e nenhuma é superior à outra. Ele acredita que todos nós nascemos com todos os tipos de inteligências e que cada indivíduo desenvolve cada uma delas conforme os estímulos que recebe ao longo da vida, fazendo com que a combinação delas seja única. Que somos seres únicos em nossa subjetividade, já sabíamos, mas agora você tem um argumento científico para aquele papo cabeça no boteco ou com o/a crush… rsrsrs
Inteligências complementares
A interação entre os tipos de inteligências não é de sobreposição, mas de complementaridade. Cada inteligência representa uma forma única de processar informações e resolver problemas, de maneira independente, manifestando-se com mais ênfase conforme o estímulo que recebemos. No entanto, todas as inteligências estão interligadas, o que leva a crer que todas as pessoas possuem a capacidade de desenvolver todas as inteligências.
E esse conjunto de inteligências único é o que contribui para a capacidade subjetiva de compreender o mundo e traçar abordagens para a resolução de problemas, o que reforça a importância de estimularmos e praticarmos a diversidade e multiplicidade dentro dos projetos e iniciativas com as quais nos envolvemos e sobretudo, naquelas em que eventualmente tenhamos um papel de liderança.
Inteligência artificial ou natural?
Em meio à acelerada evolução tecnológica, a questão “Inteligência artificial ou natural?” surge como um ponto de reflexão crucial. Pesquisas recentes sugerem que a inteligência humana pode estar regredindo, enquanto a inteligência artificial, uma criação humana, pode um dia superar nossa própria capacidade cognitiva. No entanto, é importante lembrar que a inteligência artificial, como o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, é um reflexo de nós mesmos, construída a partir do volume de informações que acumulamos ao longo da era das máquinas.
A inteligência artificial, portanto, não é uma fonte perfeita e possui os mesmos defeitos que nós. Mas, ao mesmo tempo, ela tem o potencial de ser uma poderosa aliada, capaz de auxiliar, automatizar e impulsionar o desenvolvimento humano. A sociedade pode se beneficiar das inovações tecnológicas, como já ocorreu com a Revolução Industrial.
No entanto, é crucial discernir até que ponto essa ferramenta está atuando como aliada da sociedade ou como algo que poderá ameaçar a capacidade humana. Afinal, a inteligência artificial ainda não dispõe de certas habilidades que são intrínsecas à inteligência humana, como a capacidade de imaginar, de formar imagens ou ideias na mente, que não estão presentes aos sentidos, e de exercitar a empatia (apesar de que, temos visto que a humanidade tem praticado menos essa capacidade).
Mas enfim, falando em inteligências complementares, que tal por ora, em vez de vermos as tecnologias de inteligência artificial como uma ameaça, considerá-las como extensões da inteligência humana, uma ferramenta que pode nos ajudar a resolver problemas complexos e a criar novas realidades? Afinal, a inteligência, seja ela artificial ou natural, é uma habilidade adaptativa que nos permite interpretar e lançar-nos rumo ao novo e ao desconhecido.
Inteligências plurais e a criatividade
Independente da teoria, se natural ou artificial, ao reconhecermos que as inteligências se manifestam de maneiras diversas, temos a oportunidade única na história da humanidade, de desenvolvermos uma visão mais ampla e inclusiva da inteligência, reconhecendo que todos nós temos um conjunto único de habilidades e competências que podem ser desenvolvidas, com implicações profundas para a criatividade e a inovação, isto é, todos temos o potencial para sermos criativos em nossas áreas de força. A criatividade envolve a transformação dos talentos, conhecimentos e compreensões para uma nova realidade, original, única e valiosa.
Então, ao nos conscientizarmos sobre a pluralidade das ingeligências e como isso nos afeta em nossas subjetividades, fortalecemos nosso autoconhecimento e desbloquemos nosso potencial criativo e inovador, o que pode contribuir para a construção de futuros mais plurais e desejáveis.
Resumão
Ao longo deste artigo, exploramos a fascinante complexidade das Inteligências Plurais, uma visão que reconhece a diversidade e a singularidade das habilidades e competências humanas. Abordamos como a inteligência, em suas múltiplas formas, tipos e classificações, é uma habilidade adaptativa que nos permite imaginar e compreender o mundo ao nosso redor. Também abordamos a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que identifica nove tipos de inteligências, todas igualmente importantes e presentes em cada um de nós de maneira única.
Refletimos sobre a interação complementar entre essas inteligências e como elas contribuem para a nossa capacidade de compreender o mundo e resolver problemas. Além disso, discutimos a relação entre inteligência artificial e natural, sugerindo que, em vez de ver a tecnologia como uma ameaça, podemos considerá-la uma extensão da inteligência humana, uma ferramenta que pode nos ajudar a resolver problemas complexos e a criar novas realidades.
Reconhecemos que, ao entendermos a pluralidade das inteligências e como isso nos afeta, fortalecemos nosso autoconhecimento e desbloqueamos nosso potencial criativo e inovador, com implicações profundas para a criatividade e a inovação, reforçando a importância de estimularmos e praticarmos a diversidade e a multiplicidade em nossos projetos e iniciativas.
Inteligências Plurais no World Creativity Day 2024
Agora, convido você a explorar suas próprias Inteligências Plurais. Que tal refletir sobre quais inteligências você mais se identifica e como elas se manifestam em sua vida? Como você pode desenvolver ainda mais essas habilidades e competências? E como você pode usar suas inteligências únicas para impulsionar sua criatividade e inovação?
Fique conectado comigo, Marcos K Hirano, e com o HUB Suzano no Instagram para se antecipar às novidades do World Creativity Day 2024 em Suzano. Estamos ansiosos para explorar ainda mais as Inteligências Plurais com você e ver as ideias e inovações incríveis que surgirão deste evento inspirador.
Vamos juntos nessa jornada de descoberta e inovação!
E você, já conhece o World Creativity Day? Compartilhe conosco nos comentários e vamos continuar essa conversa. Até a próxima!

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