
Região alcança destaque estadual em governança colaborativa e terá evento promovido pelo Alto Tietê Valley para apresentação do planejamento estratégico de sua cadeia produtiva de TIC no dia 30/01
A região do Alto Tietê consolida-se como território estratégico para o desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, com doze Cadeias Produtivas Locais (CPL) oficialmente reconhecidas pelo governo estadual no programa SP Produz. Laudicir Zamai Jr., presidente do Alto Tietê Valley (ATV); Emerson Nogueira, diretor do ATV; e Marcos K. Hirano, presidente do Tekoema Instituto (HUB Suzano), destacam como a governança organizada está transformando territórios e ampliando oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável.
Como funciona uma cadeia produtiva?
Imagine uma startup ou empresa de soluções de software como apps e plataformas online, que precisa de fornecedores (computadores e servidores); serviços (internet rápida, designers, consultores de segurança digital, desenvolvedores e arquitetos de sistemas), além de clientes (empresas, governos, pessoas).
Restaurantes também dependem de fornecedores (hortaliças, carnes e temperos); equipamentos (fogões, geladeiras, louças, mobiliário); serviços (manutenção, limpeza, delivery, treinamentos); de distribuidores de bebidas; e, claro, de clientes.
Uma cervejaria precisa de fornecedores de malte, lúpulo, embalagens; de equipamentos para produção; de quem distribui os produtos aos bares e restaurantes; e de consumidores.
Quando todos esses negócios, sejam indústrias de tecnologia, especialistas em TI, agricultores familiares, fabricantes e fornecedores de equipamentos, restaurantes, bares, food trucks, escolas e centros de formação, de acordo com características de cada setor, trabalham de forma organizada e colaborativa, formam uma cadeia produtiva local (CPL).
Essa organização permite que empresas, mesmo sendo concorrentes, compartilhem custos de transporte, negociem melhores preços com fornecedores, contratem treinamentos em conjunto e acessem financiamentos públicos, que sozinhas não conseguiriam. É a lógica do “juntos somos mais fortes” aplicada aos negócios.
| ESTRUTURA DAS CADEIAS PRODUTIVAS | |||
|---|---|---|---|
| Elemento | TIC | Gastronomia | Cervejas |
| Fornecedores | Servidores, computadores, internet | Agricultores, carnes, temperos, mobiliário, utensílios | Malte, lúpulo, garrafas e latas, rótulos |
| Produção | Desenvolvedores, startups | Restaurantes, bares, food trucks | Cervejaria |
| Serviços | Consultoria, segurança digital, serviços em nuvem | Delivery, eventos, consultores | Distribuidores, treinamentos |
| Clientes | Empresas, governos, pessoas | Consumidores finais, turistas | Bares, restaurantes, consumidores |
| Benefício colaborativo | Inovações, licitações | Capacitação, eventos | Transporte, compras |
| Dado de impacto | R$ 774 bi até 2028 | 86% PIB (Belo Horizonte) | 34 novos postos de trabalho na cadeia produtiva a cada emprego em cervejaria |
| Característica especial | Transversal (beneficia todos os setores) | Inclusão MEIs (60%) | Multiplicador de empregos |
O que significa “governança” de cadeias produtivas?
Governança é simplesmente a forma como as empresas se organizam para tomar decisões em conjunto. Funciona como um “conselho de bairro” dos empresários: todos sentam à mesa, definem prioridades, elegem representantes e decidem juntos onde investir recursos, quais projetos buscar e como resolver problemas comuns.
“Governança organizada não é criar mais reuniões ou burocracia. É ter clareza sobre onde se quer chegar, quem e como se toma as decisões, onde os investimentos serão melhor aplicados e quais os resultados esperados”, explica Marcos K. Hirano, consultor especializado em organização de cadeias produtivas. “É ter um ‘manual de funcionamento’ que todos conhecem e respeitam.”
Sem governança, cada empresa age isoladamente. Com governança, o grupo pode apresentar projetos ao governo, conseguir investimentos e financiamento público e atuar como um grupo para compras, com maior poder de negociação.
O trabalho do consultor é facilitar a aproximação de empresas que normalmente não se conversavam, identificar problemas comuns (como falta de mão de obra qualificada ou custo alto de transporte), organizar reuniões e ajudar a escrever projetos técnicos, traduzindo a linguagem complexa dos editais públicos, para viabilizar a captação de recursos do governo. “Meu papel é traduzir o conhecimento técnico sobre políticas públicas para a realidade prática das empresas locais”, resume Hirano. “É fazer a ponte do governo, que tem recursos, com os empresários, que têm necessidades reais.”
Impacto regional e social
O modelo de CPL demonstra impacto econômico significativo em diferentes setores. O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) representa 6,5% do PIB brasileiro, com produção de R$ 762,4 bilhões em 2024 e crescimento médio de 8,4% ao ano, projetando investimentos de R$ 774 bilhões em transformação digital até 2028, com destaque para Nuvem (R$ 331,9 bi), Inteligência Artificial (R$ 145,9 bi) e Big Data & Analytics (R$ 110,5 bi) (Brasscom 2025).
Em 2024, o setor de TIC criou 52.026 novos postos de trabalho formais, totalizando 2,1 milhões de empregos — 3,8% do total de vagas formais no Brasil — com crescimento de 2,5%, com o Brasil ocupando atualmente a 9ª posição no ranking mundial de produção em TIC e Telecom, sendo o único representante da América Latina no Top 10 (Brasscom 2025).
No setor cervejeiro, cada emprego em cervejaria gera 34 novos postos na cadeia produtiva (FGV/Sindcerv 2019), com 90% do valor agregado permanecendo na localidade. O setor gastronômico brasileiro evidencia potencial inclusivo, com mais de 60% das empresas de alimentação fora do lar formalizadas como MEI, totalizando aproximadamente 660 mil MEIs em foodservice (Abrasel/Sebrae 2024).
Resultados comprovados em 2025
A região do Alto Tietê possui atualmente doze Cadeias Produtivas Locais reconhecidas oficialmente pelo governo estadual no programa SP Produz, sendo três como CPL Madura, seis como CPL Consolidada e duas como CPL em Desenvolvimento, além de uma reconhecida como Arranjo Produtivo, posicionando o Alto Tietê como região de destaque em quantidade e diversidade de cadeias produtivas reconhecidas no estado de São Paulo.
| CADEIAS PRODUTIVAS RECONHECIDAS* DO ALTO TIETÊ | |||
|---|---|---|---|
| Nível de maturidade | Cidade sede | Setor Econômico | Entidade Gestora |
| CPL Madura | Salesópolis | Eucalipto (2024) | CAMAT |
| Mogi das Cruzes | Fungicultura (Cogumelos) | Sindicato Rural de Mogi das Cruzes | |
| Leite | |||
| CPL Consolidada | Arujá | Flores e Plantas Ornamentais | AFLORD |
| Mogi das Cruzes | Agricultura Familiar | APROJUR | |
| Biritiba Mirim | Agroindústria | AMAMA | |
| Turismo de Base Comunitária | |||
| Suzano | Cervejas Artesanais | Tekoema Instituto (HUB Suzano) | |
| Gastronomia | |||
| CPL em Desenvolvimento | Salesópolis | Mel | CAMAT |
| Itaquaquecetuba | Metalurgia | FEMPI | |
| Aglomerado Produtivo | Mogi das Cruzes | Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) | Alto Tietê Valley |
* Cadeias produtivas do Alto Tietê, oficialmente reconhecidas no SP Produz 2024/2025
Esse reconhecimento oficial é resultado direto de um trabalho estruturado de governança e articulação institucional. A conquista comprova que a metodologia de organização colaborativa – que substitui arranjos fragmentados por uma atuação integrada – gera resultados concretos e mensuráveis.
Com o resultado alcançado em 2025, o Alto Tietê se confirma como um território estratégico para o desenvolvimento econômico estadual, baseado em cadeias produtivas articuladas, com potencial de captação de até R$5,75 milhões em fomento a projetos para fortalecimento das cadeias produtivas. O apoio do SEBRAE-SP através do programa LIDER Alto Tietê (Lideranças para o Desenvolvimento Regional) e do CONDEMAT+ foi fundamental para identificação e elaboração das propostas ao Estado.
“A governança organizada não é burocracia, é articulação estratégica para o desenvolvimento sustentável”, explica Marcos K. Hirano, que atua como consultor especializado em estruturação de cadeias produtivas, assessorando empresas e entidades gestoras na implementação de governança e elaboração do planejamento estratégico. “Quando diferentes elos de uma cadeia – fornecedores, produtores, comércio, academia, poder público – se articulam de forma planejada, criam-se condições para profissionalizar a gestão, compartilhar infraestrutura e serviços, acessar recursos de fomento e escalar resultados”, conclui.
O modelo chinês de clusters industriais
A China é referência mundial no desenvolvimento de arranjos e cadeias produtivas territoriais, estratégia que tem garantido alta competitividade internacional em diversos setores. Destacam-se Shenzhen (Guangdong), o “Vale do Silício da China”, polo de eletrônicos e tecnologia que abriga Huawei, Tencent e DJI; Wenzhou (Zhejiang), a “Capital do Calçado”, com mais de 4.500 fabricantes concentrados; Dongshi (Fujian), a “Capital dos Guarda-chuvas”, maior centro produtor e exportador de guarda-chuvas da China; Yiwu (Zhejiang), maior mercado atacadista de pequenos produtos do mundo, com 75 mil estandes e 400 mil tipos de produtos, respondendo por 80% do mercado global de artigos sazonais; e Guzhen (Guangdong), a “Capital da Iluminação LED”, com 7.000 empresas e o maior centro de produção e comercialização de iluminação do mundo. Esses clusters demonstram como a articulação territorial estruturada gera vantagens competitivas sustentáveis e posiciona regiões como referências globais.
Três frentes de atuação integradas
O trabalho desenvolvido pelo Tekoema Instituto e a rede de parceiros se estrutura em três eixos complementares:
- Governança para Cadeias Produtivas: criação de fóruns, comissões e processos decisórios que organizam e dão direção aos arranjos produtivos;
- Projetos para captação de investimentos e fomento: estruturação de propostas para diferentes fontes de recursos, incluindo programas governamentais, fundos de desenvolvimento e parcerias estratégicas;
- Estruturação de projetos culturais: formatação de iniciativas em economia criativa, audiovisual e cultura para editais de fomento.
De acordo com a visão de Hirano, “Não se trata de depender de um único programa ou edital. Nossa abordagem é criar capacidade local de planejamento, articulação e execução, permitindo que os territórios aproveitem janelas de oportunidade de forma estratégica e sustentável”.
Colaboração substitui competição
A experiência acumulada com as CPLs da região demonstra que a organização em rede gera ganhos que vão além do acesso a recursos financeiros. Entre os benefícios estão: fortalecimento da marca territorial, atração de investimentos, qualificação profissional, retenção e atração de talentos, inovação compartilhada e redução de custos operacionais.
“Quando pequenas e médias empresas se articulam, ganham escala para negociar, investir em capacitação e participar de mercados que individualmente seriam inacessíveis”, observa Laudicir Zamai Jr., presidente do Alto Tietê Valley.
TIC como cadeia transversal: planejamento estratégico será apresentado em 30/01
Os representantes do Alto Tietê Valley apresentarão os próximos passos para consolidar a Cadeia Produtiva Local de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) na região. O planejamento estratégico será apresentado publicamente no dia 30 de janeiro, às 10h, no Sincomércio de Mogi das Cruzes.
O evento é voltado para empreendedores ligados à cadeia produtiva de tecnologia, startups de base tecnológica, empresas desenvolvedoras de software, consultorias, integradores de sistemas, prefeitura, câmara municipal, sociedade civil organizada e entidades que atuam nas diversas frentes empresariais, além de todos que atuam no setor de tecnologia da informação e comunicação – considerado transversal, pois permeia todas as atividades econômicas. O setor de TIC representa 6,5% do PIB brasileiro e projeta investimentos de R$774 bilhões em transformação digital até 2028, conforme estudo da Brasscom.
“TIC não é apenas um setor, é uma camada de inovação que atravessa e potencializa todas as atividades econômicas”, ressalta Zamai. “Nosso objetivo é criar um ecossistema regional colaborativo, conectando municípios para desenvolver pesquisas, projetos inovadores e ações de ciência, tecnologia e inovação, onde empresas de diferentes portes e especialidades possam desenvolver projetos conjuntos, compartilhar infraestrutura e fortalecer a competitividade do território, alinhado à Estratégia Brasileira para a Transformação Digital”, complementa Emerson Nogueira, Diretor do Alto Tietê Valley.
A Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital) estabelece como prioridade a formação de ecossistemas regionais de inovação, a capacitação profissional em tecnologias digitais e o fomento a ambientes de negócios colaborativos que promovam competitividade, produtividade e inclusão digital.
Benefícios concretos de participar de uma cadeia produtiva organizada
Quando pequenas e médias empresas se unem em uma cadeia produtiva estruturada, os ganhos são práticos e mensuráveis:
- Redução de custos: compras de matéria-prima e contratações conjuntas de serviços aumentam o poder de barganha, melhorando as condições de negociação
- Acesso a financiamentos e fomento: projetos em grupo podem captar de R$ 250 mil até R$ 750 mil no edital de fomento do Estado de SP
- Compartilhamento de experiências e aprendizados: a troca de informações entre empresas permite compartilhar desafios e aprendizados, otimiza o conhecimento e a tomada de decisão
- Visibilidade regional: participação em feiras, missões comerciais e rodadas de negócios organizadas
- Melhor diálogo com o poder público: com mais poder de influência e coordenação de ações estruturantes e incentivo ao ecossistema de inovação regional
“Quando chegamos organizados, com dados, projetos e governança definida, o governo e os grandes compradores nos levam a sério”, observa Zamai.
Convite à comunidade empresarial e sociedade civil
O Alto Tietê Valley convida a comunidade empresarial e a sociedade civil da região, interessada em conhecer o planejamento da cadeia produtiva de tecnologia da informação e comunicações (TIC), para compreender como se engajar no movimento e colaborar para a governança da CPL, transformando juntos desafios em oportunidades concretas de desenvolvimento setorial e regional.
O planejamento estratégico será apresentado no dia 30 de janeiro, às 10h, no Sincomércio de Mogi das Cruzes. O evento é gratuito, porém devido à capacidade limitada do auditório, recomenda-se manifestar interesse de participação através dos canais oficiais do Alto Tietê Valley (ver contatos abaixo). Interessados em acompanhar os desdobramentos do planejamento também podem se conectar à comunidade para futuras oportunidades de engajamento.
Oportunidades em Suzano: CPLs de Gastronomia e Cervejas Artesanais
Empresários de Suzano dos setores de alimentos e bebidas (A&B) têm à disposição duas Cadeias Produtivas Locais reconhecidas oficialmente em 2025 como CPL Consolidada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, geridas pelo Tekoema Instituto (HUB Suzano).
As CPLs oferecem a possibilidade de contribuir para pensar e desenhar colaborativamente projetos que beneficiem a cadeia produtiva, para fortalecer a visibilidade regional em eventos e feiras e melhor diálogo com o poder público para desenvolvimento do setor.
Restaurantes, bares, food trucks, cervejarias artesanais, fornecedores e prestadores de serviços interessados em participar podem obter informações através dos canais do HUB Suzano (ver contatos abaixo).
Sobre o Alto Tietê Valley
O Alto Tietê Valley (ATV) é uma associação sem fins lucrativos, organizada e colaborativa que reúne empreendedores, startups, empresas, universidades e instituições da região do Alto Tietê com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação e tecnologia, promovendo desenvolvimento econômico, inovação e conectividade entre diferentes setores.
Surgiu como um movimento em eventos de tecnologia e se fortaleceu a partir da necessidade de articular o ecossistema de startups e de inovação na região. Foi transformada em uma associação em 2016 e atua como elo de integração entre startups, empresas, instituições e sociedade civil, promovendo eventos como ATV Talks, ATV Summit, HackMogi e Caqui Inova.
De 2017 a 2024 foi responsável pela gestão do Polo Digital de Mogi das Cruzes e desde 2022, exerce função estratégica como entidade gestora da APL TIC de Mogi das Cruzes, responsável pela mobilização de atores, coordenação de governança, elaboração e execução de projetos cooperados.
Sobre o Tekoema – Instituto de Inovação e Transformação Social
O Tekoema Instituto (responsável pela comunidade HUB Suzano) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, focada em inovação social, desenvolvimento territorial sustentável e fortalecimento de capacidades locais. Atua na estruturação de projetos, articulação de redes colaborativas e promoção de ecossistemas de inovação.
Atua como entidade gestora das CPL de Cervejas Artesanais e de Gastronomia, reconhecidas em 2025 com maturidade de CPL Consolidada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.
Serviço
Evento público:
Apresentação do Planejamento Estratégico – APL TIC
Data: 30 de janeiro de 2026 (sexta-feira)
Horário: 10h às 12h
Local: Sincomércio Mogi das Cruzes | Rua Coronel Souza Franco, 74 – Centro, Mogi das Cruzes, SP
Para saber como participar do evento, entre em contato pelas redes sociais do Alto Tietê Valley
Alto Tietê Valley: linkedin.com/company/alto-tiete-valley
Instagram: @somosatv
Comunidade Alto Tietê Valley no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/BbZmlC1KhsxCRQh5Ssiutv
Website CPLs de Suzano: cpl.altotiete.org.br
Instagram: @hubsuzano
Tekoema Instituto: www.hubsuzano.org
Comunidade HUB Suzano no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/LAXrzppFmM95od84XTdla8
